25 de abr de 2011

Jean Michel Basquiat


Jean Michel Basquiat
http://www.youtube.com/watch?v=vmgoSYZr77k

Basquiat foi um dos primeiros  a usar o grafite como forma de expressão....a partir dele o grafite abandonou as ruas ganhou estatus de arte. Seu trabalho era um mix de influências...ele se utilizava do pop, arte das ruas, histórias em quadrinhos e... até suas raízes africanas faziam parte do caldeirão cultural. 
Grande amigo de Andy Warhol, eles chegaram a pintar juntos alguns quadros. Apesar de ter morrido cedo, aos 27 anos de overdose, Basquiat é considerado um dos mais influentes artistas da década de 80.(http://blogartemix.blogspot.com/2010/10/jean-michel-basquiat.html)

8 de abr de 2011

CHARLES BAUDELAIRE

O vinho dos trapeiros

Muita vez ao rubor de um revérbero e a um vento,
Que à chama sempre é um golpe e o cristal um tormento,
Bem num velho arrabalde, amargo labirinto
De humanidade a arder em fermentos de instinto,
Há o trapeiro que vem movendo a fronte inquieta,
Nos muros a apoiar-se e como faz um poeta,
E sem se incomodar com os guardas descuidosos,
Abre o seu coração em projetos gloriosos.
Ei-lo posto a jurar, ditando lei sublime,
Exaltando a virtude, abominado o crime,
E sob o firmamento - um pálio de esplendor -
Embriagar-se à luz de seu próprio valor.
Estes, que a vida em casa enche de desenganos,
Roídos pelo trabalho e as tormentas dos anos,
Derreados sob montões de detritos hostis,
Confuso material que vomita Paria,
Voltam, cheios de odor de pipas e barrancos,
E seguem-nos os que a vida tornou tão brancos,
Bigodes a tombar como velhos pendões;
Os arcos triunfais, as flores, os clarões
Se erguem diante do olhar, ó solene magia!
E na ensurdecedora e luminosa orgia
Do clarim e do sol, do grito e do tambor,
Eles trazem a glória ao povo ébrio de amor!
E assim é que através desse terrestre solo,
O vinho é ouro a rolar, fascinante Pactolo;
Pela garganta humana ele canta os seus feitos
E reina por seus dons como os reis mais perfeitos.
E para o ódio afogar e embalar o ócio imenso
Desta velhice atroz que assim morre em silêncio ,
Gerou o sono, Deus, de remorso tocado;
O homem o vinho criou, filho do sol sagrado

4 de abr de 2011

Conceição Evaristo

Conceição Evaristo, nascida em Belo Horizonte, é hoje uma das mais importantes representantes da literatura afro brasileira no país. Seu livro mais conhecido, Ponciá Vicêncio, narra as desventuras de uma mulher negra na cidade grande. Como as figuras de barro que constrói, Ponciá é fragil e delicada, mas sua sensibilidade artística não a livra de todas as formas de violência que historicamente atingem às mulheres negras e pobres. Porém, Ponciá é também forte como a arte e seu desejo de liberdade se revela em suas memórias, na luta para reencontrar seu passado negado, sua família, sua identidade. Neste blog o registro de um dos  poemas mais emblemáticos de Conceição Evaristo


Vozes-mulheres


A voz de minha bisavó ecoou
Pierre Verger
criança
nos porões do navio.
Ecoou lamentos

de uma infância perdida.

A voz de minha avó
ecoou obediência

aos brancos donos de tudo.
A voz de minha mãe
ecoou baixinho revolta
no fundo das cozinhas alheias
debaixo das trouxas
roupagens sujas dos brancos
pelo caminho empoeirado
rumo à favela.
A minha voz ainda
ecoa versos perplexos
com rimas de sangue
e fome.
A voz de minha filha
recolhe todas as nossas vozes
recolhe em si
as vozes mudas caladas
engasgadas nas gargantas
.

2 de abr de 2011

GERALDO VANDRÉ

Pra não dizer que não falei de flores
Geraldo Vandré, no III Festival Internacional da Canção, 1968
O Jornal Brasil de Fato, edição nº 421, trouxe uma matéria impressionante nesta semana que incluiu o 31 de março  e o deputado Bolsonaro em cena aberta, fazendo o capitão do mato, seu personagem principal, a mostrar que os responsáveis pelo terror dos anos de chumbo estão bem ativos e, o pior, impunes.
Trata-se da reportagem Por que sumiram as imagens de Vandré? Nela descobrimos que não existem mais imagens gravadas do artista cantando Pra não dizer que não falei de flores, musica-hino da luta contra a ditadura. Sua apresentação, acompanhada por um coro de milhares de vozes, emocionou o III Festival Internacional da Canção, para desespero e ódio dos militares. 
Nenhuma TV guarda mais essas imagens, certamente deletadas dos arquivos da Globo e das outras emissoras por ordens direta do governo Médici.
Geraldo Vandré, conhecido por suas canções engajadas, foi preso, exilado e voltou ao Brasil em 1973, quando protagonizou uma controvertida entrevista na qual parece ter sido forçado a dizer que nada tinha contra os militares. Geraldo Vandré, hoje aos 75 anos, descobriu que não tem mais imagens gravadas de nenhuma de suas apresentações. Aliás, fruto do descaso  ou da repressão, poucas imagens da década de 60 restam nos arquivos das TVs brasileiras. Enquanto isso, disputamos no presente o direito à memória, antes que apaguem outros registros.

Neo realismo


Jacques Villegle
J. Tinguely

Jean Dubuffet
"Saúdo o vigésimo primeiro século que é a minha época, meu presente e meu futuro. O século XX já alguma vez existiu? (...). Concebida por poetas do tempo livre e por especialistas da sensibilidade urbana, a arte de amanhã será uma arte total correspondente a uma estética popular generalizada, fundamento das indispensáveis metamorfoses planetárias" .(do Manifesto Pela Arte Total ou Contra a Internacional da Mediocridade - Pierre Restany - 1967)