17 de jul de 2010

No mínimo, cidadania...

BRASIL: Aqui, o gráfico sobre a linha da miséria, levantado pela FGV-RJ em cima de indicadores do IBGE.

9 de jul de 2010

Minha Boêmia
(Fantasia)

Arthur Rimbaud

Lá ia eu, de mãos nos bolsos descosidos;
Meu paletó também tornava-se ideal;
Sob o céu, Musa! Eu fui teu súdito leal;
Puxa vida! A sonhar amores destemidos!


O meu único par de calças tinha furos.
- Pequeno Polegar do sonho ao meu redor
Rimas espalho. Albergo-me à Ursa Maior.
- Os meus astros nos céus rangem frêmitos puros.


Sentado, eu os ouvia, à beira do caminho,
Nas noites de setembro, onde senti tal vinho
O orvalho a rorejar-me as fronte em comoção;

Onde, rimando em meio à imensidões fantásticas,
Eu tomava, qual lira, as botinas elásticas
E tangia um dos pés junto ao meu coração!

Um poeta no exílio

Concluo a leitura de Rimbaud na África, de Charles Nicholl. Trata-se de biografia (bastante) ficionalizada do poeta francês que se auto-exilou da literatura e da boemia européia, no fim do século XIX, para ser negociante no Chifre da África.
Modernista de vanguarda , em linha direta com Baudelaire, Rimbaud escreveu durante a adolescência: dos 15 aos 21 anos legou à poesia uma obra ímpar e grandiosa que influenciou gerações de artistas posteriores, especialmente os poetas beats e rockeiros que se inspiraram nos seus versos ácidos, irreverentes e irônicos.
O poeta maldito que amava viajar ou como ele mesmo disse, que "tinha asas nos pés", exilado da literatura, buscou na África récem partilhada pelas grandes potências européias um escape, tornando-se mercador, traficante de armas, talvez de escravos, arabista, beduíno, habitante dos imensos desertos que ofereceram sua paisagem inóspita para que ele pudesse acomodar melhor os vazios de sua alma . Os versos trocados por prosaicos cadernos de haveres e deveres aparecem muito pouco no livro.O autor preocupado em recriar e/ou  inventar acontecimentos  para os  itinerários  do viajante, busca no que pode obter dos cadernos de mercador e das cartas aos amigos e familiares, algumas pistas para preencher os enigmas dos anos africanos de Rimbaud. Mas mesmo exilada a poesia salta de repente de uma descrição prosaica  como o cheiro do café ou de cidades de nomes mágicos.
A leitura é muito agradável e o personagem principal ,  polêmico e políticamente incorreto, é fascinante....

5 de jul de 2010