14 de mar de 2011

Walter Benjamin

Teses sobre o conceito de história (IX)
"Minhas asas estão prontas para o vôo,
Se pudesse, eu retrocederia
Pois eu seria menos feliz
Se permanecesse imerso no tempo vivo."
Gerhard Scholem, Saudação do anjo
Paul Klee- Angelus Novus
"Há um quadro de Klee que se chama Angelus Novus. Representa um anjo que parece querer afastar-se de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, sua boca dilatada, suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu rosto está dirigido para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu. Essa tempestade é o que chamamos progresso".

A ROSA DE HIROSHIMA, ROSA HEREDITÁRIA

Ogata Korin (1658 - 1716)

Estarrecido, o mundo  assiste impotente a fúria da natureza ameaçar o poderoso Japão e transformá-lo num amontoado de escombros.
Uma usina nuclear atingida pelos terremotos desmente o mito da segurança  sobre processos que transcendem a capacidade humana de prever e controlar riscos ao lidar com uma fonte de energia sobre a qual  não tem de fato domínio. À revelia do que significou Hiroshima e Nagasaki em 1945, a escolha ambiciosa do uso da energia nuclear parece agora assombrar a todos com uma herança que brinca com a arrogância humana. O mar, tão perto, une todo o planeta nas consequências do que ainda não sabemos direito.
O mais tecnológico dos países sucede na vez ao mais miserável. Ontem Haiti, hoje Japão. Amanhã, quem pode saber? Deus não joga dados e a natureza é infinitamente democrática ao mostrar quem manda de fato.