2 de dez de 2011


Para Rosana Clark

Rô,
De tudo ficou uma espécie de música
Um blues (backing vocal no Blues do Milharal,
arrasando Praça Sete,
Brasil, Paris, Muriaé)
Um blues tão de longe e certeiro,
marcando o compasso de tudo que sou capaz de lembrar.

Um riso, uma boca de batom vermelho como as unhas
Ah ! vestida pra matar
encantar, provocar.
E rir na cara dos trouxas,
dos embasbacados que a viam passar,
princesa talvez de algum reino remoto
ou de um provável corredor.

Encarnava sempre uma Iansã básica e
despejava raios e fúrias
contra os tiranos de plantão,
os arapongas sinistros,
os olhos que tudo vêem .
Nossa felicidade é guerreira, sabia demais...

Queria em sua homenagem
Inventar que foi uma conspiração internacional
que a fez morder a maçã envenenada
com a bactéria mortífera.

Queria transformá-la, num poema épico,
em heroína quilombola, lutando contra a tirania dos barões.
Ou talvez uma história em quadrinhos
sobre revoluções planetárias
e humanos se libertando do sofrimento da falta,
da dor, da perda, da morte.

E nós temos que contar,
pois, aprendemos que pior do que a morte
o esquecimento apaga nossos rastros
e nos condena a vagar sem rumo,

Contar para que sejam guardados os feitos.
No caso, os seus, mulher, companheira em tantos sonhos,
batalhas, risadas, aventuras na construção das mil portas de Tebas.
E assim, como quem acende uma vela e ilumina o presente
Você se vai, deixando como lição sua vontade de viver.
Seu amor pela liberdade