22 de jul de 2011

Alexander Calder

Os artistas não temem a solidão.
Antes fazem dela aliada
na busca incansável por imagens
que viram linguagens e depois
tornam a virar imagens
para alimentar a imaginação humana.

Quem iria prestar atenção ao ambulante
que carrega dezenas de bolas coloridas às costas
como se fosse um Atlas a carregar mundos?

Quem se importa com os desenhos
que os galhos derrubados das velhas árvores
fazem no chão depois da ventania ?

Quem captura um sorriso
jogado ao ar das ruas da cidade?
Ou o brilho no olhar de alguém
que passa com pressa,
esgueirando-se no tráfego?

Quem vê as formas das nuvens
ou as gotas de chuva?
Quem trata de guardar os sons
dos insetos na mata sob o sol?

Quem ainda acredita em utopias
como o desejo de liberdade?
Quem não sucumbe ao medo da morte
 porque sabe muito sobre
o quanto vale a vida?

Por isso os artistas são tão temidos.
Por desvendarem outra lógica
que a obedecida pela maioria.
Ou outra ordem que é capaz
de contrariar interesses ou verdades.
Por isso muitos são submetidos  às agruras da escassez,
do anonimato, do esquecimento, das traições.

Os que veneram o poder e as riquezas
e os que se vendem a esses,
pagam o preço alto de perder
o encanto do acaso,
o inesperado das formas,
a sensibilidade tátil do mundo.

A esses a arte nunca se mostrará.
Porque mesmo que se mostrasse
eles jamais seriam capazes de perceber. 

Margareth Franklin in Arte Movimento

Um comentário:

  1. "Roubei" este poema para o meu grupo: amantedasleituras. levo as imagens e revolta no peito. beijo

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